domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Bela e a Fera ( Beauty and the Best )

A história original de ''A Bela e a Fera" foi escrita por Gabrielle-Suzane Barbot, a Dama de Villeneuve, em 1740. Vinte e seis anos depois, foi reescrita por Madame Jeanne-Marie LePrince de Beaumont. Tornou-se um dos contos clássicos infantis até os dias de hoje. Periodicamente, "A Bela e a Fera" é reencenado no cinema ou teatro. Em 1991, a Disney Feature Animation realizou a versão de "A Bela e a Fera", transformando o conto em um musical de animação "Beauty and the Best", dirigido por Kirk Wise & Gary Trousdale, com adaptação de Linda Woolverton e canções de Alan Menken & Howard Ashman. Onze anos depois, o mesmo filme é reapresentado na tecnologia 3D. A história invariavelmente apresenta variações. Segundo a Disney, Belle , uma jovem que gostava muito de ler, vive com seu pai, Maurice, em uma pequena aldeia da França. Gaston, um jovem da aldeia, bronco, musculoso, forte e bastante limitado aspira ao coração de Belle, que não o ama. O pai Maurice é inventor. Por isso é considerado excêntrico. Não gostam dele na aldeia. Quando vai apresentar um invento em uma feira, se perde na floresta e é atacado por lobos. Refugia-se em um castelo, onde vive uma criatura diferente, a Fera. Na verdade, a Fera era um príncipe orgulhoso, mal educado e pretensioso que foi amaldiçoado por uma feiticeira que o condenou a viver como Fera. Se um dia fosse amado, antes de cair a última pétala da rosa, ele reconquistaria o seu reino. Assim , Bela se oferece para ficar em lugar do pai, no castelo da Fera. Aos poucos descobre que a Fera é sensível, e sem querer, assim de repente sente-se atraída pelo animal. Para vingar-se, Gaston consegue enviar Maurice para um Asilo de Loucos e ataca o castelo da Fera. Belle que tinha saído do castelo para visitar seu pai, levara o espelho, através do qual conseguia ver tudo. Assim, Belle vê a Fera agonizante. Corre para o castelo e demontra seu amor ao animal que está à morte. Nesse momento, cai a última pétala da rosa, não sem antes quebrar o feitiço que transformava o noivo em animal. O desenho é belíssimo, como todos os da Disney. Mas a transformação da Fera em Príncipe é digno de nota, e faz lembrar o "'Adão" de Michelangelo, sendo criado por Deus com apenas um toque. Observe, cuide!



A versão de alguns psicólogos é a de que o conto "A Bela e a Fera" transforma o noivo em animal para que em seu crescimento, a criança possa adquirir aos poucos o sentimento da identidade, passando por momentos difíceis, sofrendo privações, enfrentando o mundo com as próprias forças e obtendo vitórias. Assim , ao tornar-se ele mesmo, autêntico, o herói ou a heroína torna-se digno de ser amado. No caso de "A Bela e a Fera", para o desenvolvimento ser pleno, é preciso ser capaz de amar o Outro. Por isso é tão bonita a mensagem do filme. Assim, alcançar ao desenvolvimento da própria identidade pode garantir a cada um de nós a salvação da alma. Mas ainda é insuficiente para que o ser humano atinja à felicidade plena. Para isso é necessário criar um vínculo com o Outro. Como afirma Bruno Bettelheim: - "O Eu sem o Você vive uma existência solitária". Por isso é preciso transcender o próprio isolamento e sair em busca do Outro. Faça isso logo! O que você está fazendo aí sentado?

Leia por favor: de Howard Ashman e Alan Menken
Sentimentos são fáceis de mudar
Mesmo entre quem não vê que alguém pode ser seu par
Basta um olhar que o outro não espera
Para assustar e até perturbar, mesmo a Bela e a Fera
Sentimento assim, sempre é uma surpresa
Quando ele vem nada o detém

É uma chama acesa
Sentimentos vem para nos trazer
Novas sensações, doces emoções
E um novo prazer
Sentimentos vem para nos trazer
Novas sensações, doces emoções
E um novo prazer
Numa estação como a primavera
Sentimentos são como uma canção para a Bela e a Fera
Sentimentos são como uma canção para a Bela e a Fera









sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Artista (The Artist)

"O Artista" é campeão de indicações ao Oscar. Melhor Filme, Melhor Direção para Michel Hazanavicius, Melhor Ator para Jean Dujardin e Melhor Atriz Coadjuvante para Bérénice Bejo. O filme concorre ainda aos prêmios de Melhor Roteiro, Montagem, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Trilha Sonora. A produção é francesa, mas Michel Hazanavicius e Bérénice Bejo, sua mulher, praticamente se mudaram para Los Angeles onde foram rodadas as filmagens. "O Artista" fala do amor de seu diretor e roteirista pelo cinema. É uma obra de arte em preto e branco, e também fala sobre cinema o tempo todo. Ao discorrer sobre a linguagem do filme dentro do filme, emprega recursos de metalinguagem. Usa uma linguagem para descrever algo sobre a linguagem do cinema. Quando George Valentin - uma analogia com o o nome do herói do cinema mudo, Rodolfo Valentin - fala sobre o cinema, o espectador participa da sequência de filmes dentro do filme. Ou seja, o espectador vê o quadro da janela do filme onde o ator, mostra ele próprio, numa sequência de filmes mudos, dentro do filme. Woody Allen, em "A Rosa Púrpura do Cairo" fez o ator sair de dentro do filme para unir-se à espectadora Cecília, representada por Mia Farrow ). Os personagens de Hazanavicius homenageiam os primórdios do cinema. Aí cada um tem a liberdade de fazer suas analogias. Como o diretor ama o cinema, é óbvio que toda a história e linguagem do cinema é o seu material de criação, tudo já foi realizado. Assim, é possível afirmar que George Valentin foi criado segundo o modelo de Rodolfo Valentino, ou do Zorro, Douglas Fairbanks ou até de Clark Gable - embora o bigodinho de Clark Gable seja de 1939 e do cinema falado, em "E o Vento Levou", o filme da vida das mulheres que nasceram antes de 1945).
Jean Dujardin, o George Valentin, é a revelação de 2012. O sorriso é irresistível. Conheço gente que foi assistir ao filme mais de uma vez só para ver de novo o sorriso do herói, com seus caninos em pontinha, muito sexy. Você sabia que dentes caninos pontudos são extremamente sexy? Será uma analogia com o lobo que vai comer a vovó? E um indicativo para Chapeuzinho tomar cuidado com seus sentimentos eróticos? Não sei, psicólogos e psiquiatras explicam melhor... O fato é que cenas de filmes clássicos podem ser revisitadas em "O Artista". Desde "Cantando na Chuva", "Grande Hotel" até "O Garoto". Pergunto-me, afinal ali, dançando, é George Dujardin ou Gene Kelly? E fico feliz quando identifico a frase famosa de Greta Garbo, dita pela bela Peppy Miller: - "I want to be alone".

O filme conta ainda com a presença de James Cromwell, um grande ator, com uma filmografia enorme . E veja só, não consigo esquecer "'Babe", o filme em que James Cromwell fazia o fazendeiro Arthur Hoggett, que treinava seu porquinho para pastorear ovelhas. Quando Babe participa de uma apresentação pública e se sai bem, Arthur lhe diz : - "Você arrasou Porco"! (inesquecível).
E o que dizer sobre Uggie? Que ele é simplesmente genial e torna-se o complemento de seu dono. Os dois combinam à perfeição. Você sabia que Uggie já tem 10 anos, e que é o filho adotivo de quatro patas do treinador Omar Von Luller? E que ele passou por dois donos, que não o quiseram por ser considerado um bicho anti-social? Simplesmente inacreditável. Agora todo dono de cachorro vai querer que seu bicho se jogue no chão e se faça de morto, quando ele fizer a simulação do tiro com os dedos da mão! No filme é possível ouvir George Dujardin chamando Jack. É que Uggie é um Jack Russell Terrier. Ele participou de filmes como "Mr. Fix It" e "Água para Elefantes". Na França recebeu uma indicação ao prêmio "Prix Lumière Award". Em 2011, em Cannes, recebeu o "Palm Dog Award". A cena mais emocionante - em que Uggie tenta convencer seu dono a não cometer suicídio, poderia ser comparada a do filme "O garoto", quando o menino chora pelo pai Chaplin? Um certo exagero não é mesmo? Mas quem sabe? Assim não vá ao cinema esperando grandes enredos ou grandes dramas em "O Artista". Assista ao filme pensando em tudo o que ele representa para o cinema.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas ( The Help)

Tate Taylor, o diretor, é do Mississipi e queria fazer um filme contando uma história. Sua amiga Kathryn escreveu o livro "A Resposta" (The Help), sobre preconceito racial. Quando este tornou-se um sucesso e uma possibilidade de virar filme, Kathryn exigiu que o diretor fosse Tate Taylor. Segundo ela e Tate, Mississipi é o estado mais racista dos Estados Unidos. A história se passa nos anos 50, 60, quando Marthin Luther King lutava pelos direitos dos afro-descendentes e quando o presidente Kennedy foi assassinado em 1963.
Eugenia , a "Skeeter"( Emma Stone) não se enquadra no padrão de comportamento feminino que se espera de uma mulher nessa sociedade preconceituosa. Seu desejo é tornar-se escritora. Após conseguir um emprego num jornal para substituir uma colunista cujo tema são os assuntos domésticos, Skeeter tem a idéia de escrever um livro com depoimentos verdadeiros, mostrando a visão das empregadas domésticas. Coisa que nenhum branco do Missisipi quer saber.
Entre as atrizes Viola Davis, a Aibileen, é candidata ao Oscar de Melhor Atriz. Octavia Spencer , a Minny e Jessica Chastain, a louríssima e sem preconceito, Celia, são candidatas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O cenário é o da burguesia americana endinheirada dos anos 60. As mulheres que fazem parte da história, exemplificam a sociedade da época, são bastante estereotipadas. Tanto Hully Holbrook (Bryce Dallas Howard) como suas amigas, possuem um visual e fala preconceituosa. Representam - de forma simplificada - o grupo social a que pertencem. O filme capta com perfeição o cinismo das senhoras e de seus maridos. As mulheres usam a moda dos anos 60, vestidos coloridos, acinturados, franzidos ou godês, com comprimento abaixo do joelho. Os cabelos tem corte médio e estão duros de laquê. A maioria é louríssima. Efetivamente possuem a pele muito branca. Nenhuma delas dedica-se ao cuidado dos filhos. Sempre em cima de saltos altos, essas jovem senhoras medíocres e extremamente conservadoras não têm nenhum filho para cuidar. Eles são criados e educados pelas empregadas domésticas. Os hábitos escravistas devem estar arraigados nessa sociedade até hoje. Se Abraham Lincoln promulgou a Abolição em 1863, cem anos depois o espírito escravista ainda imperava na cidadezinha do Mississipi. O comportamento conservador das senhoras baseia-se em status e riqueza. Não possuem a menor empatia pelas empregadas que cuidam de seus filhos. Por antecipação o grupo considera que as domésticas são seres inferiores, que devem ser colocados em seus devidos lugares, dominados e subjugados. Assim, nenhuma delas sente o menor prurido em perseguir, demitir ou acusar de roubo as domésticas, que até podem considerar as casas de seus patrões como seus únicos lares.
O processo de tomada de consciência inicia por Aibileen Clark (Viola Davis), que posteriormente consegue a adesão de Minny. O motivo da demissão de Minny foi o quiproquó em torno do uso do banheiro. A patroa não quer que a empregada use o banheiro. Minny desafia a ordem, finge que usou o vaso sanitário e puxa a descarga, com a patroa de ouvido colado na porta. Minny chora amargamente a humilhação. As patroas pregam um banheiro só para uso das empregadas. Não deixa de ser aquela casinha de fundo de quintal que existia - ainda existe - no Brasil da falta de saneamento. E no Brasil? Qual é a origem do programa dos apartamentos que inclui o banheiro de serviço, com circulação independente, uso de elevador de serviço, tudo evidenciando a superioridade do patrão e inferioridade da doméstica? Engraçado, aqui nunca ninguém fala nada, tudo isso é aceito placidamente. O programa de necessidades deve ter imitado a vida dos europeus ou americanos. Não é muito diferente do filme, e os brasileiros gostam de afirmar que não são racistas. Aqui no Brasil e aqui em Porto Alegre, elevador de serviço, entrada de serviço, banheiro de serviço é para cachorro, empregada doméstica e trabalhador. Só não fica especificada a cor da doméstica. Mas o preconceito é o mesmo. As classes dominantes e as emergentes brasileiras são muito parecidas com a turma do Mississipi dos anos 60.
Vale conferir a revanche de Minny, cujos quitutes são verdeira delícia! Vale também conferir a atuação não apenas de Viola Davis e Octavia Spencer, mas também de Bryce Dallas Howard , a terrível Hilly. A atriz possui uma beleza diferente e esteve em "A Dama na Água" e "O Exterminador do Futuro" em que fazia Kate Connor. Ah, e as mães? Tate dá um destaque para as mães idosas, ou quase. Sissi Spacek faz a velha senhora com Mal de Alzheimer e a mãe de Skeeter, apesar de todo o seu conservadorismo, e de não ter tido a coragem de defender sua velha empregada, nunca esquece de dizer: - "Filha eu te amo". Ela demonstra que até os fracos tem seu dia de heróis! Não deixe de assistir a este belíssimo filme.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres ( The Girl with the Dragon Tatoo)

"Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres" é melhor que "Rede Social", o filme que no ano passado foi candidato ao Oscar. Ou, pelo menos, eu não estou interessada na vida do criador do Facebook, que não era nenhum primor de honestidade, não é mesmo? O filme baseia-se na Trilogia Millenium, de Stieg Larsson, " Os Homens que não Amavam as Mulheres", "A Menina que Brincava com Fogo" e "A Rainha do Castelo de Ar". Os personagens dos três livros são o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) e Lisbeth Salander (Rooney Mara). Como bem afirma o patriarca da família Vanger, o trabalho de investigação que ele confiará a Mikael surpreenderá pela sordidez e pelo mau caráter das pessoas que serão investigadas, os membros de sua própria família.
Se o jornalista perde e é humilhado em sua primeira investida contra o notório golpista Wennerstrom, sua nova tarefa junto à família Vanger não é menos difícil. Deve pesquisar as circunstâncias do desaparecimento de Harriet (Moa Garpendal), neta de Henrik Vanger, com notável interpretação de Christopher Plummer.
Mikael inicia sua pesquisa e recebe apoio da haecker Lisbeth Salander, uma investigadora alternativa que foge a todas as regras a respeito dos estereótipos de investigadoras. Mikael só não sabe que Lisbeth investigou sua vida anterior, contratada pelo mesmo advogado com quem negociou.


Millenium possui suspense e mistério. Em momento algum o espectador fica distraído. A trama é concebida com astúcia. O filme é muito bem montado, alternando cenas de movimento e violência, com o silêncio da pesquisa do jornalista; com Mikael e Lisbeth unidos, mas separados em momentos de sofrimento e tensão, um não sabendo do outro. Os personagens são bem pintados e caracterizados. E descobrimos que não se salva ninguém, nem Mikael. Ninguém é um primor de caráter. Desta vez, Daniel Craig interpreta o jornalista sem todo aquele charme e dureza de 007, o espião com licença para matar. Mikael usa um sobretudo justo, envidenciando sua magreza e fragilidade. A barba está quase sempre por fazer. Quando ele conversa muito próximo à Lisbeth, seus olhos azuis transparentes continuam muito bonitos e só. Existe um momento em que ele parece bem Jeca, com seu pijaminha vermelho quadriculado e a cara amarrotada.


"Millenium - os Homens que não Amavam as Mulheres" é envolvente quando Mikael e Lisbeth evoluem em suas investigações e ele descobre a sequencia de fotos do desfile - ocorrido há quarenta anos atrás - que poderão desvendar o enigma. Pode até ser comparado à "Blow-Up" um dos melhores filmes de Antonioni, em que o fotógrafo Thomas (David Hemmings) ao revelar fotos decobre um assassinato. A sequencia de imagens de Harriet, ao lado de sua prima Anita mostram sua surpresa ao enxergar alguém do outro lado da rua. Mikael fica obcecado em descobrir a identidade dessa pessoa misteriosa. Em ambos os filmes, casualmente um gato é retalhado e colocado à vista de cada um dos personagens, Thomas e Mikael, nos dois filmes, para intimidá-los.
A participação de Lisbeth é o toque de classe do filme. Lisbeth tem 23 anos, mas é tutelada pelo Estado. Desde os 12 anos é considerada mentalmente incapaz. Queimou 80% do corpo do pai quando era criança. O que ele terá feito? Depende das graças de um funcionário do Estado que lhe assegura uma mesada e relatórios de psicólogos sobre sua saúde mental. A vida de Lisbeth sempre foi dura. É uma menina sozinha, que foi e continua muito abandonada. Ela poderia ser a sua filha! Não poderia? Sua filha poderia um dia estar sofrendo os mesmos riscos, não poderia? Ela precisa e merece muito amor. Além de tudo Lisbeth é genial, muito ágil, esperta e inteligente. Sabe tudo de computadores e coloca Mikael no bolso. O visual da garota é uma graça, muito punk, não consegue esconder um rostinho adorável e bem desenhado pela natureza.
De início, Lisbeth é vítima dos abusos sexuais do funcionário do Estado, um gordo porco, perfeito para caracterizar o bandido tarado. A cena do abuso sexual e a da revanche de Lisbeth são duras. A punição do abusador é a catarse do espectador. Nos sentimos vingados. Esse tipo de sentimento é o mesmo que Sam Peckinpah provoca em "Sob Domínio do Medo", quando o professor David Summer, interpretado por Dustin Hoffman explode em violência depois de ser humilhado. Como o herói de Peckinpah, Lisbeth não esquece seu inimigo. A garota ainda tem uma relação muito peculiar com a dor; resiste, não sente medo. É uma dura investigadora. Mikael ao contrário, no final se mostra um alienado. Sem saber, na santa ignorância tem seus problemas resolvidos por Lisbeth, que caça Wennerstrom, seu grande inimigo. Mikael também não sabe - nem quer saber-, cativou Lisbeth, que solitária e carente acreditava que tinha encontrado um amigo e um amante...












domingo, 5 de fevereiro de 2012

A beira do abismo ( Man on a Ledge)

Sam Worthington é a razão para você assistir "À beira do Abismo". Sam era o cyborg Marcus Wright, de "O Exterminador do Futuro"- de McG-, que ofuscava o John Connor , interpretado por Christian Bale. McG afirma que Sam é um raro ator que reune a capacidade de ser agressivo e parecer vulnerável ao mesmo tempo. E prestem atenção, as mulheres adoram Sam Worthington, que tem brilho até no nome, chama-se Samuel Shane Worthington. Em Avatar, de James Cameron, não ficou atrás interpretando o Jake Sully, o jovem paraplégico que tem seu próprio Avatar e vive as maiores aventuras na floresta de Pandora.

"À Beira do Abismo" é um thriller dirigido por Asger Leth, com suspense quase garantido, porque de fato não é um bom filme. Sam, interpretando Nick Cassidy fica parado na cornija de um prédio no vigésimo primeiro pavimento, em Nova York, ameaçando se jogar. Prestem atenção o prédio é antigo e pertence à Escola de Chicago que teorizava o objeto arquitetônico, comparando-o com uma coluna grega, com base ou pedestal, coluna propriamente dita ou parte intermediária e coroamento. Por isso Nick apoiava-se na parte lisa da cornija, que iniciava o coroamento do prédio.


Vamos ao que interessa, o que ele fazia nessa beirada do vigésimo primeiro pavimento do Hotel Rossevelt, gritando que cometeria suicídio e que exigia a presença da bela negociadora Lydia Mercer ( Elizabeth Banks)? O filme não surpreende. Enfim, Nick é condenado a vinte e cinco anos de prisão pelo roubo de um diamante. De fato, existe uma trama liderada pelo vilão David Englander. Ed Harris caracteriza muito bem o vilão, magro, velho, calvo, feio e irreconhecível. Parece uma vela de sebo derretida. Você não vai acreditar como ele era lindo em "Os eleitos, onde o Futuro Começa", de 1983.


Como Nick demora muito para jogar-se e inicia uma identificação com a bela policial pisicóloga, desconfia-se que existe algum plano mirabolante em segredo. Por isso você deve assistir "À Beira do Abismo" para descobrir, afinal Nick vai ou não atirar-se? Lá embaixo a multidão ovaciona e vaia. Todos querem assistir ao espetáculo que Nick teima em retardar. Por que?





Românticos Anônimos (Les émotifs anonymes)

Isabelle Carré e Bênoit Poelvoorde formam o casal de enamorados em "Le émotifs Anonymes", dirigido por Jean Pierre Améris. A trama se desenvolve em torno da paixão pelo chocolate. Jean-Réne, o proprietário de uma fábrica de chocolate e a chocolatière Angelique, se veem pela primeira vez quando ele a entrevista, buscando funcionários para sua firma. É paixão à primeira vista. Porém tudo o que acontece entre os dois é atrapalhado pelos milhões de fios do medo, do pânico do convívio social, do pavor em enfrentar as situações corriqueiras do dia a dia, que envolvem, falar em público, assumir a autoria do próprio trabalho, enfrentar chefias, dar aulas, conversar, pedir o cardápio em restaurantes, enfrentar estranhos etc, etc. O tom de comédia exagera quando trata dos sentimentos dos temerosos e emotivos. E nos faz rir. A comédia é deliciosa, entremeada por canções que se refere à cada tema do filme como: "J'ai confiance en moi", "Attaque de panique", "Les émotifs anonymes" e outras. Ser dominado pelo medo é uma coisa terrível. O próprio Hitchcock afirmava que sentia medo de tudo. E que isso tinha sido incutido por seu pai, que permitiu que ele passasse uma noite na prisão para aprender sobre certas coisas. Até por isso, quem sabe, o grande diretor tornou-se o mestre na arte de provocar o medo. Em "Le Émotifs Anonymes", tanto Angelique como Jean-Réne sofrem crises de pânico, quando submetidos à situações difíceis. Nenhum lembrou de dizer para si mesmo: "Tudo o que você precisa são 20 segundos de coragem, depois vai passar". Assim quando a bela Angelique vai para a entrevista, fala e canta para si mesma, recitando canções de auto-ajuda, que funcionam como um mantra. O texto da canção "J'ai confiance en moi" reforça seu caráter e confiança. Mal sabe ela que seu futuro patrão sente tanto ou mais medo. Ambos procuram ajuda, Angelique frequenta um grupo de auto ajuda, em que cada um conta suas mazelas e é apoiado pelo grupo. Jean-Réne tem seu psicólogo que lhe pede três exercícios. No primeiro ele deve convidar alguém para jantar, no segundo deve tocar em alguém e no terceiro deve dar um presente. Você já convidou alguém para jantar? Tocou em alguém, assim como o psicólogo pediu? E já presenteou alguém? Ou para você é muito difícil dar alguma coisa para o outro? Bênoit é genial em sua interpretação. O espectador sofre junto quando ele leva uma mala cheia de camisas para trocá-las durante o jantar, sem que a amada perceba. Ele suava frio e molhava a camisa... Até que o infeliz, não conseguindo suportar, foge pela janela. Nas crises de pânico as pessoas fogem da situação insuportável que lhes tira a fala, faz tremer, secar a garganta e suar frio. Pior é aquele tremor nas mãos, que teima em balançar o papel de leitura. Se você não tiver pena dê uma xícara de cafezinho para alguém como Jean- Réne. Ele poderá derrubá-lo. Ou ainda, dê um copo d'água. Se o infeliz emotivo tiver senso de humor, vai lembrar de "Jurassic Park", quando a câmera se fixa na água que treme dentro do copo, anunciando o velocirraptor que se aproxima da menina. A coragem e o bom senso algumas vezes vencem . O medroso diz para si mesmo, ne t'inquiete pas , le panique est en toi. Não te inquietes, o terremoto está dentro de ti mesmo. Para alguns funciona, e o pânico pode ser vencido. Não para Jean-Réne, que fraquejou até na hora do casamento. Porém, como noivo e noiva sofriam do mesmo problema, adivinhem o que aprontaram?








sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Separação

O filme iraniano não provoca emoção, ou virei uma pedra? Ou minhas feridas e mágoas estão curadas? Tudo muito cicatrizado? Fiquei frustrada, logo eu que choro se ofendem o Pluto.'' A Separação'' é um bate-boca de início ao fim. E aí ? Segundo a mídia temos todos os ingredientes para entender a cultura árabe. Se analisarmos cada briga, cada diálogo vamos entender os árabes? Duvido, muito diferentes de nós, simples brasileiros. De início, a mulher quer ir embora daquele país. Chega daquela terra sem esperanças! Por isso quer o divórcio. Mas, se o marido pedir para ela não ir, ficará. Simples, basta o marido pedir que ela fique! Pois não é que o cara de batata não pede? E a partir daí começam os acontecimentos nefastos. Ele não vai porque seu pai precisa de atendimento, está com o Al, como diz o Dr. Gustavo Barão, da Fisicor. O problema é aquele "stress", quando a mulher vai embora e o marido precisa cuidar do pai, com a pior das doenças! Muito, muito difícil manter a calma nessa hora . O filho se atacou muito , e com razão. Quando a empregada amarrou o pai na cama e saiu, ele caiu no chão. Se falava, desde esse dia ficou calado. Olhava o filho com os olhinhos do Rilquinho (o meu cachorrinho amado). E agora? O dinheiro sumiu, nunca foi explicado. A empregada voltou, cheia de razões. Não tinha roubado, será? Não sabemos. Precisou sair. O drama, foi empurrada pelo patrão, caiu na escada e perdeu o bebê! A partir daí, o patrão precisa provar ao juiz não sabia que ela estava grávida! No Brasil é mais simples, todos mentem , sem o menor problema. Ninguém tem problemas com o Corão, ou o Alcorão? Se o seu pai manda alguém à "puta que pariu", ou à ''la gran puta''! (adoro essa expressão!) , não é problema. E pior, se o cara merecia? O advogado dirá que você deve dizer que não disse o palavrão e tudo fica por isso mesmo! Mas, no caso, o bebê da empregada morreu! O pai sabia que ela estava grávida? Eis a questão transcedental!

Assim, interessa no filme a preservação das crianças, que não são culpadas de tudo o que acontece entre pai e mãe nessa hora. Algum pai ou mãe se preocupou com isso, no Brasil, quando desancam seus ex-companheiros?

"A Separação" mostra a cultura árabe, muito preocupada com a submissão feminina. À toda hora eles querem preservar a honra. Honra esta que nunca foi explicada. Você acha que seu filho escolheria viver com você no caso de uma separação? E não seu ex-companheiro? O que lhe faz presumir isso? O pior mesmo é ser rejeitado, não é mesmo? Você está preparado para isso? Assista "A Separação" e veja todos esses temas em pauta.

E tem mais , não esqueça que "A Separação" é candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012.