quinta-feira, 24 de abril de 2014
Júlio Sumiu
Júlio Sumiu é uma comédia leve e debochada cujo personagem central é a mãe, Edna, interpretada por Lilia Cabral, em torno de quem giram marido , filhos, a equipe da delegacia e até Tião, o chefão do tráfico na favela.
A confusão tem início quando Júlio, um dos filhos, some. A mãe não consegue mais dormir. Vai parar na favela, recebe um telefonema avisando que se não pagar o mundo virá abaixo. Feita a confusão entre os dois filhos, fica no meio do tiroteio, tentando negociar com Tião Demônio. Os personagens são divertidos. Tudo é puro estereótipo, não importa. A equipe da delegacia é de morte! O delegado (Augusto Madeira ) está engraçadíssimo, tendo que apelar para o Viagra para conseguir enfrentar a Poderosa Carolina Dieckmann. Como o diretor reza pela antiga fórmula que polícia e bandido é a mesma coisa, Stephan Nercessian, o delegado Barriga, não foge à regra. Está um verdadeiro bagaço. Virou um lixo. Nada faz lembrar o belo garotinho do início da carreira. Não precisou muito esforço para encarnar o outro delegado corrupto.
Roberto Berliner, o diretor, debocha do que sobrou das forças armadas. O pai, capitão aposentado e Júlio, o filho sumido, em típica nostalgia dos tempos da ditadura, ainda acreditam em treinamento militar nas Agulhas Negras! Para infelicidade de ambos, o apartamento vira uma Boca Livre!
É assim, as gags são a curtição e o divertimento! E as meninas ainda por cima poderão conferir a beleza do filho de Fábio Júnior. Nada como fazer fui- fui para o Fiuk!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Noé
Noé não deveria nos impressionar, é um relato bíblico de domínio público. Lemos ou nos contaram, nas aulas de religião - do Padre José - quando éramos crianças. Afinal, todo mundo sabe que Deus ordenou Noé a reunir um casal de animais de cada espécie e colocar todos numa arca para salvá-los do dilúvio, que inundaria a face da terra. Que Deus estava muito incomodado com os pecados da humanidade e fez isso para acabar com os homens, ainda bem que essa parte eu não lembrava. Acima de tudo, é um filme sobre o amor e deixa o espectador com um nó na garganta.
Jennifer Connelly, como a mulher, Emma Watson, como a filha adotiva Ili estão bem. Mas Russel Crowe está soberbo, faz um Noé magnífico, com a voz rouca, de tremor de terra.
Os efeitos cenográficos são bons, mas aquela água brotando do fundo do mar, como uma chuva de chafarizes, é um exagero! Dilúvio não é assim, um espetáculo de luzes e águas! É muito mais como um tsunami! Ficou artificial e o mesmo se pode dizer dos bichos, todos da era digital, nada verdadeiro. É preciso ter paciência para suportar a mediocridade de certos malabarismos da 3D!
Segundo a Bíblia, Noé leva para dentro da arca, a mulher e os três filhos, Sem, Cam e Jafé. Faltam esposas para os outros dois. O filho responsabiliza o pai por sua solidão e falta de noiva. E o patriarca passa a ser a grande vítima de si mesmo. Acredita piamente, ter sido encarregado por Deus de salvar a humanidade, e nesse gesto não estariam incluídas as mulheres para o segundo e o terceiro filhos. A desgraça do patriarca é ser o alvo de ressentimento e ira do filho, verdadeiro drama. Para qualquer pai, isso é a suprema infelicidade.
O diretor toma liberdades ao contar a história. Mostra o drama do homem, que acredita ser um instrumento de Deus para concretizar a Sua vontade. Não se sabe bem porque Noé tem uma fé tão forte e acredita cegamente que devem salvar-se apenas ele e sua família. Essa Gênese não se explica, é o mito da fé, por isso é tão emocionante o drama vivido pelo personagem.
Em nome desta mesma fé e da tradição, precisa matar a criança que nasce, se ela for mulher. Uma das cenas mais dramáticas que assisti nos últimos tempos é o conflito vivido pelo personagem, dilacerado entre o amor pelo ser inocente e a necessidade de obediência a Deus. A ideia de que somente ele poderia salvar o mundo do mal, quase o transforma em algoz da própria família. Mal sabe nosso trágico personagem que sua arca já estava contaminada pelo mal, com o beneplácito do filho traidor. Muito provavelmente, está parte não estava na Bíblia, porém o essencial do relato foi mantido.
Apesar de tudo o que foi dito sobre os problemas da terceira dimensão e da artificialidade dos animais, não perca, fique nas primeiras filas e talvez, nem assim, você se livre dos mal educados que acendem o celular no escurinho do cinema.
Apesar de tudo o que foi dito sobre os problemas da terceira dimensão e da artificialidade dos animais, não perca, fique nas primeiras filas e talvez, nem assim, você se livre dos mal educados que acendem o celular no escurinho do cinema.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Gaiola de Ouro
Gaiola de Ouro é um filme leve e adorável, do diretor Ruben Alves. Portugal em crise exporta mão de obra para a França. Por isso mesmo, os brasileiros que visitam Paris, se sentem solidários com estes trabalhadores que falam português, como se fossem de casa. Pura imaginação, um Atlântico e muita colonização nos separam.
Enfim, Maria (Rita Blanco) e seu marido José Ribeiro (Joaquim Almeida) trabalham em Paris. Ela como síndica e ele como zelador. A atriz está ótima como a funcionária perfeita, que cuida de todos os moradores do prédio e conhece as necessidades de cada um. O marido é a mão direita do patrão, trabalha em qualquer horário. Está sempre pronto para pegar no batente.
Até o dia em que recebem a notícia que são herdeiros de uma fortuna deixada pelo irmão que os abandonara na Rua da Amargura.
Gaiola de Ouro fala sobre o lado bom da vida em família, mesmo com seus altos e baixos. Fala dos sentimentos de amor- admiração, misturados à necessidade de explorar e enganar o outro. De usar nem que seja o próprio irmão, em benefício próprio. Tudo isso contado com muito humor e perspicácia.
Português de Portugal, Ruben Alves diz de pessoas que não perderam suas raízes, sobre portugueses que acima de tudo amam a sua terra, belíssima por sinal e que têm a oportunidade de reacender esses sentimentos.
Eu, quem sabe você, ou quantos outros perdemos nossas raízes. Deixamos tudo para trás! Não sobrou nada a não ser lembranças. Você voltaria? Resposta difícil, mas os acontecimentos do filme são incríveis! Mais ou menos como ganhar na loto!
Como quase sempre acontece, em briga de família, em geral acontece o contrário! Um dos irmãos pode muito bem sair de mãos abanando do negócio familiar.
Por isso mesmo, assista aos incríveis acontecimentos e divirta-se. Preste atenção na deliciosa apoteose familiar no final.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Trezentos
Se você for assistir ao filme 300 pensando em aprender alguma coisa de história, tire essa ideia da cabeça. O tema, a luta dos persas contra gregos e troianos interessa muito menos que a forma. Mais que uma análise temática, interessa mostrar ação e violência. 300 é um filme épico, de heróis e bandidos sanguinários, que pretende oferecer a barbárie, muita espada cravando no peito de soldados e muito sangue jorrando na tela. Tudo regado à música dramática e ação. E tem mais, para os amantes das histórias em quadrinhos, é ver as cenas e composições dos quadrinhos transplantadas diretamente para a tela do cinema.
Os heróis Temístocles e Artemísia, inimigos históricos sentem-se atraídos um pelo outro. A cena de sexo explícito, na frente de todo mundo, no navio, constrangeu até o mais bronco dos soldados. O sexo entre Temístocles e Artemísia foi além, e se transformou em verdadeira batalha entre o homem e a mulher. Fique atento ao caráter bélico da personagem, Artemísia não era mulher de se entregar, era uma lutadora feroz!
Finalmente para contrariar a história e indignar historiadores Xerxes sacode o corpinho dourado para movimentar algumas cenas. Na série 300, Xerxes nunca serviu para nada, a não ser exibir a musculatura e sentar-se num trono, bem protegido do perigo - nas palavras de Artemísia- que lhe joga na cara a sua absoluta inutilidade! O brasileiro Rodrigo Santoro fica bem, encarnando Xerxes; e Eva Green se supera em beleza, com os olhos verdes emoldurados por muita pintura nos olhos!
Os heróis Temístocles e Artemísia, inimigos históricos sentem-se atraídos um pelo outro. A cena de sexo explícito, na frente de todo mundo, no navio, constrangeu até o mais bronco dos soldados. O sexo entre Temístocles e Artemísia foi além, e se transformou em verdadeira batalha entre o homem e a mulher. Fique atento ao caráter bélico da personagem, Artemísia não era mulher de se entregar, era uma lutadora feroz!
Finalmente para contrariar a história e indignar historiadores Xerxes sacode o corpinho dourado para movimentar algumas cenas. Na série 300, Xerxes nunca serviu para nada, a não ser exibir a musculatura e sentar-se num trono, bem protegido do perigo - nas palavras de Artemísia- que lhe joga na cara a sua absoluta inutilidade! O brasileiro Rodrigo Santoro fica bem, encarnando Xerxes; e Eva Green se supera em beleza, com os olhos verdes emoldurados por muita pintura nos olhos!
terça-feira, 25 de março de 2014
Pelos Olhos de Maisie
Pelos olhos de Maisie é um filme emocionante que nos remete ao passado. Como o tempo voa ou somos nós que voamos com o tempo, lembro o verso de Rainer Maria Rilke: " ó saudades dos lugares que não foram bastante amados na época passageira, quem me dera devolver-lhes o gesto esquecido, a ação suplementar..." E os filhos teriam sido bastante amados na época passageira? Maisie que o diga. Em sua infância, passou de mão em mão, como se fosse um peso para pai e mãe. E houve até o dia em que foi esquecida na porta da escola...Os atores que fazem os pais são conhecidos e famosos, Julianne Morre e Steve Coogan, que interpretam respectivamente a roqueira Suzane e o curador Beale. Lembram-se do jornalista de Philomena? De fato, ele está muito diferente!
O filme é baseado no romance de Henry James, de 1897 e conta a vida de Maisie cujos pais não se entendem e brigam de maneira irresponsável na frente dela. Tudo se desenrola através do olhar da criança, que deveria ser cuidada por pai e mãe. Irresponsáveis,fogem de suas responsabilidades delegando obrigações para outros, ou para os primeiros que aparecem.
O olhar da menina impressiona. Ela obedece, não chora, não reclama, muito menos faz cena de birra. Escorre apenas uma lágrima quando percebe o abandono e a falência de pai e mãe. Suzane e Beale de fato são criminosos e deveriam perder a guarda da filha, o que não ficamos sabendo. Porém como nem tudo está perdido, na vida de Maisie, surgem pessoas doces e meigas, capazes de fazer circular o amor entre elas. O insólito grupo de três pessoas solitárias, a babá, o segundo marido da mãe e Maisie à revelia do que é estabelecido como a família normal, sem autorização de juiz, sem interferência de pai ou mãe, se unem e formam a família alternativa.
Observe a doçura do olhar de Maisie, a ternura do pai "step" - lindo de morrer! - e da babá!
Sinta que quando os três se encontram o mundo muda, a paisagem se torna mais bela, a música mais alegre e suave. Sinta a mão que aperta a mão da criança com uma promessa de um futuro mais seguro e feliz!
sexta-feira, 14 de março de 2014
Tom Hanks e Emma Thompson vieram mais uma vez para arrancar lágrimas do espectador. Num primeiro momento você pensa, que bobagem ver a forma como se digladiavam os poderosos de Hollywood nos anos 60, não me interessa! Nada disso, esqueça o preconceito e lembre-se da menina que adorava fazer o álbum de figurinhas da Lady e o Vagabundo, ou ainda os outros álbuns da Branca de Neve e os Sete Anões, Gata Borralheira ou as revistinhas do Pato Donald e Mickey. Não esqueça a menininha que chorava pelo Pluto, achava que ele não merecia ser tão maltratado e ainda lembre-se dos terríveis Irmãos Metralha! Bandidinhos que você encontra todo dia não é mesmo?
Tudo produzido pelo genial Walt Disney. Na época, só a senhora P. L. Travers se preocupava em pensar que os desenhos da Disney era animações idiotas! O diretor mostra a visita de Pamela ao mundo de sonhos Walt, quando as crianças lhe pedem autógrafos e dizem o quanto o amam. Ora a geração que hoje está na faixa do 60, não percebe o quanto ama Walt Disney e assim como Pamela, nunca vai esquecer os sonhos de infância.
"Walt Disney nos Bastidores de Mary Poppins" é dos poucos filmes que renderam histórias de bastidores. Os fatos são verdadeiros. O diretor John Lee Hancock conta a luta de Disney pela aceitação da autora em vender os direitos autorais do livro. Ele havia prometido às filhas filmar a história de Mary Popyns, a super babá voadora, que chega com um guarda chuva para colocar na ordem na vida de uma família arrasada e perdida com a morte do pai.
Emma Thompson está genial como a irascível e teimosa P. L. Travers, que somente aceita viajar a Hollywood, quando se vê pressionada pelas dívidas. Chega com o esnobismo do colonizador, que faz concessão em ir até uma terra de americanos selvagens, que não possuem a velha cultura tradicional vitoriana, e muito menos o verdadeiro sotaque britânico! He, he, he! Toda a equipe da Disney, treme nas bases para agradar à tinhosa!
Finalmente a senhora Travers baixa a guarda. Disney percebe que atrás da prepotência, está a fragilidade da escritora e que a história de Mary Poppins tem muito de auto biográfico.
Não deixe de assistir a este filme emocionante. Você vai adorar Emma Thompson e Tom Hanks!
Finalmente a senhora Travers baixa a guarda. Disney percebe que atrás da prepotência, está a fragilidade da escritora e que a história de Mary Poppins tem muito de auto biográfico.
Não deixe de assistir a este filme emocionante. Você vai adorar Emma Thompson e Tom Hanks!
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