terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Álbum de Família

Em minha opinião ''Álbum de Família"  é um exagero. Tudo é muito complicado como um novelão da Globo, ou como diziam antigamente, como um melodrama mexicano. Difícil encontrar  família tão problemática. E Meryl Streep como sempre se esmera em cada papel exótico que interpreta. Ninguém mais suporta a atuação "over" da dama de Hollywood! Desta vez me pareceu mais louca que  a mãe da Zerina, a vizinha da minha mãe, que teve muitos filhos, caminhava  com as costas formando ângulo reto com as pernas, cabelos nos olhos, descabelada e olhar abilolado. Ha! ela não fazia almoço, comia lanches do supermercado a vida inteira. Atravessava a rua sempre olhando para baixo. Um belo dia, foi atropelada! Não poderia ter sido diferente. A Violet (Meryl Streep) de Álbum de Família me faz lembrar essa senhora. Os personagens do filme são estereótipos,  exageros. John Wells, o diretor faz sua história baseada na novela August: Osage Count .
Tudo começa mal, com o casal que vive junto, mas que se odeia. Meryl Streep de início começa seu showzinho de interpretação para o espectador ficar chocado com a pobre personagem, quase careca, sofrendo com os efeitos da quimioterapia! Até pode-se pensar que é  por isso que se comporta como uma megera! Logo depois, Violet coloca sua peruca - à moda da mãe da Zerina - e vira um verdadeiro desastre! O marido, interpretado por Sam Shepard só podia cometer suicídio, com tal companheira de uma vida inteira. Violet  só tem  amargura, acusações e sarcasmo para dividir com os outros. Quase no final, revela - como se isso pudesse justificar sua maldade-  sobre  o triste dia em que recebeu de sua mãe como presente de Natal, um par de botas, sujas e rasgadas.   Nem o fato de Violet estar chapada, quando a tragédia se abate sobre sua família, justifica seu comportamento.  
Como ninguém é santo, quase todos sabem dos pecados do marido e da cunhada e ninguém nunca disse nada. Violet tenta dar uma de superior e finge que não sabe de nada, de tudo o que se passa na frente de seu nariz! Enfim a julgar por suas palavras, ainda se acha superior a todos os parentes. Diz que não precisa de ninguém, que se julga mulher liberada e dominadora, melhor e mais forte que todos. Os outros, coitados,  os parentes, em sua opinião são  fracos e covardes.
Três filhas, três problemas,  as atrizes estão ótimas. Desta vez gostei de Julia Roberts interpretando Barbara. É com ela que a plateia tem melhores possibilidades de se identificar. O marido de Barbara, interpretado por Ewan McGregor, já é o ex e a filha de 14 anos é a adorável garotinha que cresceu, Abigail Breslin- vocês lembram de Pequena Miss Sunshine? Problemas com o ex e com a filha tornam difícil a vida de Barbara que ainda precisa se dedicar à mãe. 
A segunda filha é a própria caricatura da cafonice, um exagero! Vocês lembram de Juliette Lewis em "Cabo do Medo" e outros filmes? Pois em Álbum de Família ela é Karen e está literalmente no bagaço. A própria Juliette tem apenas 40 anos! Observem o sorriso, os dentes, um horror! excesso de quilometragem, deve ser isso! Por mais que o personagem exija...
Enfim, para formar um enredo de novela mexicana, e muita canastrice o namorado de Karen, o cinquentão Steve ( Dermot Mulroney) assedia a garotinha de 14 anos! 
Para finalizar e completar o drama você precisa descobrir os podres da família, o segredo   que envolve a vida do sobrinho que se atrasa para o enterro. Segredo guardado a sete chaves, mas que, para muitos parentes não é nenhum segredo...
Não deixe de assistir a Álbum de Família e se escandalize também! 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Questão de Tempo

Poucas vezes em minha assisti a um filme que  trate do amor de uma maneira tão delicada. O relacionamento  entre  os dois jovens Tim Lake ( Domhnall Gleeson)  e  Mary ( Rachel Mc Adams)  é narrado  do ponto de vista masculino.  
Ele tem um visual frágil. Descreve a si mesmo para a platéia, dizendo que é muito alto e magro. Pensei alto, nem tanto! Leonardo, meu ex - aluno  é muito mais alto. Porém o que o moço tem é muito encanto. É simplesmente uma gracinha e não tem nada daqueles jovens atléticos e sarados de hoje em dia. Os ombros são pequenos,  o cabelo é avermelhado. Os lábios violáceos são o que ele tem de mais bonito. E assim Tim é muito britânico,  possui uma pele quase cor de rosa se é que dá para entender.  Quem sabe, essa composição do visual facilite a identificação da plateia com o personagem. E, óbvio dá certo!
Ela Rachel McAddams é tão graciosa que pensei, mas como já vi essa moça, onde? Sei que não foi no cinema. Pura ilusão do “ déjà vu” !
A genialidade do diretor Richard Curtis reside na tentativa de mostrar para o espectador a passagem do tempo, de alguns segundos a minutos ou ainda a passagem dos anos. O interessante - no início,  e você deve prestar atenção - - são as peripécias de Tim para reencontrar a jovem que faz balançar seu coração. 
Finalmente  a grande motivação do filme. O pai Tim, interpretado por Bill Nighy, lhe conta um segredo, os homens da família tem a capacidade de viajar no tempo. Não para mudar o destino da humanidade, não para matar Hitler antes  do holocausto, mas se o próprio assim o desejar, pode  mudar pequenos ou grandes acontecimentos da própria vida em frações de segundos. Você lembra de tudo o que poderia ter feito e não fez, no calor do momento, na atrapalhação da emoção?
E Tim se concentra, volta ao passado e corrige o tempo. Absolutamente genial. Você já pensou se tivesse conseguido explicar para ele tudo direitinho naquele dia fatídico? Pensou se não tivesse dito aquilo que disse sem pensar, tudo teria sido diferente? E hoje que estamos fazendo o balanço de 2013, que tal  poder mudar tudo o aconteceu e que você gostaria que não tivesse acontecido? Poder voltar no tempo e corrigir os próprios erros?

Enfim é disso tudo e de muito amor que “ Questão de Tempo” nos fala. Para nós simples humanos nos resta com muito esforço e reflexão tentarmos corrigir nossos próprios erros sem a mínima chance de voltarmos no tempo não é mesmo? Por isso tudo,  é tão bom ir ao cinema, sonhar e tentar arrumar a casa das próprias emoções e pensamentos! Voilà!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Um Toque de Pecado

"Um toque de Pecado", de  Jia Zhang-ke, é filme para ser levado à sério. O tema é forte e surpreendente. Tudo é muito depressivo e sem esperanças. A crítica ao sistema capitalista que toma conta da China seria responsável por tanta violência? Muito provavelmente não, a China sempre foi um país violento. E violência por violência, sempre ouço o Luiz Carlos Merten dizer que Porto Alegre é uma das cidades mais violentas do Brasil. E os porto-alegrenses adoram o seu Portinho violento... Meus amigos me perguntam porque vou assistir a filmes violentos? Suporto a violência na tela, na vida real, Deus me livre! E sabem de uma coisa? Adorei o filme de Jia Zhang-ke. Sei que a cultura chinesa é diferente da nossa. Eles são dramáticos, reservados e  violentos. Porém, em cada caso, entendemos as razões.
As quatro histórias são paralelas, não existem heróis, mas seres enigmáticos, que sofrem muito e se comunicam muito pouco. No decorrer das histórias, as pessoas quase não falam umas com as outras. A não ser sobre contratos de trabalho ou obrigações familiares.
A primeira história começa com um motoqueiro, que ao ser atacado por ladrões descarrega sua pistola, mata a todos, friamente,  um por um. Depois vai para casa e não acontece nada... A não ser que seu filho e sua mulher, ao que parece, estão melhor sem ele...Não existe punição para as mortes e assassinatos...Por antecipação todos já estão no esquecimento... Embora as histórias tenham sido inspiradas na crônica policial.
A segunda, mostra o homem de meia idade, sem mulher, infeliz, fumante. Aliás todos fumam, no filme, do garoto de 18 anos até o mais velho da comunidade. Na China devem ser altíssimas as estatísticas de mortes por câncer de pulmão! Um horror!
O senhor fumante revolta-se contra o administrador da aldeia, que vende uma fábrica, promete 40% dos lucros para a comunidade e fica com o dinheiro. O cenário de fundo mostra um povo oprimido, com medo do regime totalitário, que se mistura ao capitalismo selvagem. A qualquer momento, qualquer um podem ser revistado ou preso. Cheio de ódio, não sem antes ter apanhado muito com um taco de golfe, o homem se revolta. Faz justiça com as próprias mãos e sai ensanguentando a tela. Vai matando, vai matando e o  espectador, ali, frio e insensível. A música é tênue. Jia Zhang-ke não deseja "pegar" o espectador pela emoção.
O diretor mostra personagens que perdem suas raízes. Quando voltam para casa, a casa não é mais a casa. A mãe já não é mais a mãe. Tudo está diferente, e é preciso partir novamente, em busca de quê? Nenhum dos personagens sabe o que busca.
A história dramática que deu o que falar é a da jovem chinesa, uma verdadeira boneca, com pele de porcelana. Trabalha na recepção de uma sauna e é confundida com uma prostituta. Na China se é que estou com um mínimo de razão, as mulheres têm sido humilhadas e exploradas pelos homens há séculos. Libertação feminina deve ser tema recente, imagino. Enfim, a bela apanha do cretino com uma maço de notas de dinheiro! Como não vibrar com a explosão de violência da jovem com seu punhal? Você lembra o pacato professor universitário, interpretado por Dustin Hoffman, em "Sob o Domínio do Medo", de Sam Peckinpah? Quando a violência escapa a qualquer controle?
Até poderíamos fazer uma analogia entre a violência de Jia Zhang-ke e a de Sam Peckinpahn, com a diferença que em Peckinpah, os personagens femininos sempre foram negativos e odiados. Jia faz de sua personagem uma deusa do ódio e da violência! É ela, a mulher,  trágica e desgarrada,  que vaga pelas estradas vazias e escuras, ao longo de rochas encarpadas.
Finalmente a mais triste das histórias, mostra o jovem  esquecido e incompreendido, vítima de um sistema que explora a todos. Vocês notaram como funcionam as fábricas, cujos produtos "Made in China" são vendidos para o mundo inteiro? E que nós compramos a todo momento?
Enfim se o corpo que cai já não surprende o espectador, pelo menos chegamos ao momento de catarse, quando o criminoso que diariamente bate em seu cavalo é abatido com um tiro certeiro! Ao pobre bicho resta voltar sozinho para casa...
 
 

Última Viagem à Vegas

"Última viagem à Vegas" obedece à  fórmula que tem dado certo: um grupo de atores famosos se reúne para fazer mais um filme; eles riem de si próprios, nós deveremos rir deles e ao fazermos isso estaremos rindo de nós mesmos! Os quatro já foram galãs de arrancar suspiros das fãs, agora estão idosos e nem por isso pretendem  fazer "nada"!. Continuam representando seus papéis no cinema. O recado do diretor tem dado certo: É importante viver a terceira idade com coragem, diversão, nenhum idoso deve entregar-se ao excesso de cuidados com a saúde e muito menos privar-se de sexo. O grande conselho para os idosos: não se submeta à tirania nem à autoridade dos filhos. Cada idoso deve mandar em si mesmo até o fim de sua vida! Enfim as dicas do diretor Jon Turteltaub são excelentes. Todo idoso deveria seguir seus conselhos. Mas, o mais importante que ele prega:  o amor não tem idade.
Piadinha atrás de piadinha, tudo começa a dar certo para o grupo que resolve se encontrar para comemorar a despedida de solteiro de um dos quatro. Porém, mesmo reunindo um elenco impecável, todos acima dos 60: Michael Douglas (1947-) , Morgan Freeman (1937-), Kevin Cline 1947-),  Robert De Niro (1943-) e Mary Sttenburgen (1953-) o filme permanece  no plano médio. Algumas piadinhas são geniais como aquela em que os idosos bêbados, de ressaca sentem a cabeça e a cama girando. De fato estão num chiquérrimo apartamento de um hotel em Las Vegas, onde a cama gira!
Algumas  piadas prontas fazem rir. Embora às vezes eu comece a ficar inquieta e desejar que tudo termine logo! Experimente você e assista à "Última Viagem à Vegas". Afinal, não esqueça que idosos estão na moda. Voc6e lembra do filme de Stallone "Os Mercenários 1" com um bando de idosos: Arnold Schwarzeneger ( 1947-), Sylvester Stallone ( 1946-), Bruce Willis ( 1955-)  e Dolph Lundgren ( 1957-)? Já houve "Os Mercenários 2" e em 2014 será lançado "Os Mercenários 3", desta vez com a participação de Harrison Ford (1942_ ).
 

sábado, 30 de novembro de 2013

Blue Jasmine

     
Desta vez fiquei feliz, Veríssimo, o mais genial escritor de Porto Alegre concorda comigo. Ele também não gosta do Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen. Porém, timidamente, mas muito timidamente mesmo, me atrevo a discordar do gênio Veríssimo. Eu não daria o Oscar para Cate Blanchett e sim para Tom Hanks por Capitão Philips. Cate está linda em Blue Jasmine. É uma excelente atriz, mas a história da personagem que Woody criou e deu para ela interpretar não convence e não emociona. Talvez pelo próprio distanciamento do diretor ao contar a história.
Não sei bem porque, mas Blue Jasmine me parece uma sessão de terapia, onde todos os personagens falam para o terapeuta. Como se, de tanto ir ao psiquiatra - será que Woody vai mesmo ao terapeuta toda semana? Todo dia? - Woody tivesse feito uma coleção de sessões e colocado no filme. Além da caricatura psicológica de cada personagem, fiquei esperando que alguma coisa acontecesse e nada...
Woody Allen fala demais em seus filmes, ou ele ou seus personagens. Muitas vezes esse lado do diretor era simplesmente o máximo, como quando ele procurava uma certidão de nascimento em Poderosa Afrodite ou quando entrava na casa dos outros, na ausência dos moradores, para descobrir o assasino, como em Um Misterioso Assassinato em Manhattan. Esses detalhes eram muito engraçados e só um grande talento como Woody conseguia criticar tão bem, através do riso. Tudo isso faltou em Blue Jasmine. Os personagens, muito gregas e cafonas, não paravam de brigar e falar, parecia novela das sete!
E alguém consegue acreditar que a bela e poderosa Cate Blanchett se transforme numa coitada que caiu em desgraçada pela traição e morte do marido? Uma mulher fica destruída e falando sozinha somente por ter dois de seus casamentos destruídos? Os dois noivos não valiam um tostão. O marido, - representado por Alec Baldwin e o noivo medíocre ( Peter Saasgaard) - eram um desastre! Além do que, foi- se o tempo em que Baldwin era lindo e casado com a bela Kim Basinger. Hoje usa os cabelos pintados e está até adequado à breguice de seu personagem. O pior é quando o filme termina e ele continua com aquele penteado...
Quanto ao segundo pretendente, fraco e aliado às convenções, só uma mulher muito crédula poderia cair na sua conversa. Enfim, ninguém era inocente na história toda. Um verdadeiro massacre na cabeça do pobre espectador. Se pessoas sérias como Veríssimo encontram afinidades entre Blue Jasmine e Um Bonde Chamado Desejo, em que Marlon Bando destrói Vivien Leigh, desta vez Baldwin é apenas uma sombra do que foi Marlon Brando no auge de sua beleza e fama. Desta vez faltou tudo aquilo que Woody Allen tem feito com perfeição em sua carreira, humor! 




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Cap. Phiillips

O personagem de Tom Hanks pode se transformar em verdadeiro ícone. Hoje, Marinalva estava no meio do verdadeiro dilúvio que tomou conta de Porto Alegre. O pior foi ter que voltar e fazer o caminho novamente por ter esquecido as roupas que deveria usar. Quando se desvencilhou da tranqueira, acelerou o carro. O Irinho voava , mandando água para todo lado, parecia uma lancha, quando sem querer molhou por completo um azulzinho vestido de amarelo, pode? E  Marinalva repetia em voz alta para si mesma:
- Não sou o Capitão Phillips, mas tenho lá a minha coragem!

Brincadeiras à parte, Capitão Phillips é um dos melhores filmes de 2013. Tom Hanks está muito, muito bom, você não consegue sequer imaginar. A emoção toma conta do espectador. Meu coração acelerou. Quando o capitão foi sequestrado, pensei: Só me faltava esta, morrer agora,  de emoção, na sala de cinema, vendo Tom Hanks. 

A história é verdadeira e conta o sequestro do navio Maersk Line Alabama, cujo capitão é sequestrado. 

Quatro somalis provocam o terror dentro do navio. Ao mesmo tempo nos perguntamos, como aqueles quatro esmirrados e subdesenvolvidos conseguiram enfrentar o todo poderoso EUA?

O enfrentamento transforma-se em risível espetáculo. Atrás da baleeira estava o navio Maersk, do próprio Phillips, outro enorme navio de guerra americano, anti pirataria, e muitos helicópteros girando. O clima de tensão vai num crescendo até se instalar o caos total no espacinho claustrofóbico da baleeira. Os tempos do filme são perfeitos e Tom Hanks está simplesmente maravilhoso. Óbvio Paul Greengrass faz um  filme para elevar aos céus a potência americana, embora não deixe de fazer uma sutil crítica: a verdadeira tropa de elite encarregada de salvar o Capitão é formada por um exército de brutamontes, verdadeiros robos com excesso de massa muscular.
Quanto  aos sequestradores, vilões da história, de fato são uns coitados, sem esperança e sem futuro. Tão magros que, provavelmente passaram fome na infância. A verdadeira barbárie seria a situação econômica e política que gera esse tipo de conflito. Aqui Greengrass mostra um filme maniqueísta, com o mau e o bom, mas Moses, o capitão dos bandidos passa a sentir admiração por seu sequestrado. Inevitável não é mesmo?