terça-feira, 6 de agosto de 2013

Tabu

Tabu, o filme de arte dirigido por Miguel Gomes, recebeu cinco estrelinhas na cotação de Zero Hora. Para o comum dos mortais não é fácil assistir a Tabu, o nome da Fazenda onde vivia a personagem principal, na África. Miguel Gomes propõe um excessivo distanciamento em relação ao filme. Principalmente na segunda parte, o tom de voz do narrador - falando em português de Portugal - em minha opinião contribui para a antipatia do espectador em relação à obra. A linguagem formal lembra cartilhas de antigamente. Enfim o nosso português para se ouvir e falar é muito mais bonito. O próprio personagem que relata a tragédia, não sente a menor emoção e parece completamente distante do jovem, inquieto e apaixonado que vemos no filme.
A história é relatada em atos, invertendo-se a ordem no tempo. Miguel Gomes inicia mostrando a vida de Aurora, uma idosa, solitária, que aos poucos entra em processo de demência. O diretor mostra um profundo conhecimento da velhice e do sofrimento dos idosos. Ao que parece o filme retrata, em parte, o comportamento de um de seus familiares. Quem acompanhou o final da vida de qualquer idoso, encontrará muita coisa de familiar no Tabu de Miguel Gomes.
Retirando-se esses pontos positivos e o tom belíssimo da fotografia em preto e branco, a segunda parte é previsível. Aurora (Ana Moreira)  é uma jovem mimada e arrogante que vive o poder dos brancos no período colonial africano. Bem casada, possui uma certa bipolaridade no comportamento. Grávida, apaixona-se por Gian Luca-Ventura ( Carloto Cotta). O jovem irresistível é o mesmo idoso que, em outro tempo,  narra a história. Ventura poderia ser uma versão atual de Jacques Perrin,  com muito menos charme e beleza. Aliás, os dois dentinhos da frente, desalinhados, prejudicam o seu sorriso.
Finalmente o espectador descobre que havia algo de podre no reino da Dinamarca. E Miguel Gomes insere elementos em homenagem a Murnau, o diretor alemão que dirigiu Tabu, em 1931. Estão presentes superstições, instintos selvagens e predadores. A presença do crocodilo faz um paralelo com a agressividade de Aurora. Enfim, Tabu mostra desejos,  crimes e paixões inconfessáveis que passam  distantes do espectador.
 Em tempo,  o filme passou na 62 a. Berlinale,  ganhou o prêmio Alfred Bauer e o FIPRESCI, da crítica internacional, como o melhor filme em competição!
 

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