terça-feira, 5 de maio de 2009

RECÉM CHEGADA

"Recém Chegada" é uma comédia romântica com Renée Zellweger e Harry Connick Jr. O filme conta uma historinha, que defende uma tese nossa velha conhecida: a de que a vida no interior vale a pena ser vivida, mesmo que não tenha o glamour da metrópole. A nostalgia da vida no campo, o viver com simplicidade em contato com a natureza se opõe à correria da vida nas grandes cidades e pode nos fazer felizes. Os executivos das grandes empresas se transformam em pessoas distantes, quase robôs, que decidem os investimentos em benefício de suas corporações, sem preocupar-se com o destino de seus empregados - trabalhadores que precisam do salário no final do mês para sobreviver. O diretor, Jonas Elmer, faz a autocrítica dos americanos ao capitalismo selvagem, com suas projeções, nas quais as pessoas são transformadas em simples números.

Harry Connick Jr. já interpretou papéis semelhantes em que é o bom moço, que faz a cabeça das mulheres, como quando contracenou com Sandra Bullock em “Quando o amor acontece”. Vimos o mesmo tipo de história em “Presente de Grego”, quando a executiva Diane Keaton descobre que pode ser bem sucedida, vivendo no campo com seu novo amor, o veterinário Sam Shepard, e sua filha adotiva.

Esse é o tema do filme, que de forma leve e engraçada mostra a transformação da executiva vivida por Renée Zellweger em um ser humano consciente de suas responsabilidades perante a comunidade. Lucy Hill trabalha em uma grande empresa, que precisa decidir o futuro de uma de suas fábricas, localizada em Minnesota. Os investidores, antes de fazer demissões ou fechar a fábrica pretendem lançar um novo produto para jovens, uma barra de cereais. Ela viaja para o interior para tentar desenvolver o produto, mas traz consigo os planos, que não descartam as possibilidades de demissões.

Recém chegada, Lucy está completamente fora dos hábitos e costumes da cidade pequena. Além do que, não teve o menor bom senso em informar-se sobre a temperatura local. Descendo a escada do avião, primeiro enxergamos os sapatinhos de salto muito alto, vermelhos, de verniz. Gradativamente aparecem as belas pernas, a saia estreita, abaixo dos joelhos, o terninho de executiva e a carinha redonda, com cabelos louros, muito lisos e com aquele balanço que toda mulher deseja. A jovem executiva bem sucedida caminha muito reta, de forma tensa e afetada. Inconveniente, carrega excesso de bagagem. Renné Zelwegwer está uma graça no filme, magra, nem lembra a fofa de “O Diário de Bridget Jones”.

Os primeiros contatos na cidadezinha mostram nossa heroína metendo os pés pelas mãos, cometendo gafes e ficando em má situação, como quando vai discursar para os operários. Lá vem ela, toda dondoca, nos trinques. No alto de seus saltinhos, enfia um deles num dos quadros da grade do piso. O mais engraçado é que, quando ela dá seus foras, levanta os ombros, ergue a cabeça, sacode os cabelos, faz biquinho e segue em frente, como se dissesse para si mesma: - “Vamos Lucy, ‘guenta’, vamos em frente!“, e sai caminhando toda durinha, enquanto a sua volta, todos caem no riso.

Ou ainda, quando tripudia em cima dos caminhoneiros, sem saber que o alvo de suas críticas era Ted (Harry Connick Jr.), o sindicalista e o homem que irá mexer com seu coração. Ela briga com Ted, em uma cena de jantar, que é hilária e muito irada mesmo! Como afirmava o menino.

Mais engraçado é quando Ted a convida para uma caçada em plena neve. Lucy precisa fazer xixi, mas o zíper do macacão emperra. Como se fosse uma boneca, Ted lhe dá um apertão e corta o macacão com a faca. O diretor permite que a jovem dê o troco. Inadvertidamente ela dá um tiro na bunda do herói sindicalista.

As trapalhadas continuam até Lucy aprender a importância de reger sua vida por valores, tais como humanidade, agradecimento, fé e religiosidade. Até o momento de humanização e conscientização de nossa pequena personagem, que sofre com o próprio preconceito em relação às pessoas simples e sem sofisticação, que comem tapioca num prato fundo. Pessoas interioranas, que acreditam, falam em Jesus e fazem álbuns de recordação.

A jovem continua a pagar mico até quase morrer com seu carro enterrado na neve. Lógico, Lucy é salva pelo príncipe encantado, Ted, que ”casualmente’’ passava por aquela estrada abandonada.

Lucy aprende valores como amizade, companheirismo e solidariedade. Descobre o verdadeiro amor e a preocupação com o outro. Finalmente a vemos fazendo seu próprio álbum de recordações com legendas e tudo, escrevendo em cada foto: nosso primeiro beijo, nosso primeiro encontro e coisas semelhantes.
Vale à pena conferir a leveza do filme “Recém chegada”.




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